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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016














Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



   (Sophia de Mello Breyner Andresen)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

love your perfect imperfections


'Cause all of me 
Loves all of you 
Love your curves
 and all your edges 
All your perfect imperfections 
Give your all to me 
I’ll give my all to you 
You’re my end and my beginning 
Even when I lose I’m winning













terça-feira, 20 de maio de 2014

a thousand years



I have died everyday, waiting for you

Darling, don't be afraid, I have loved you for a thousand years

I'll love you for a thousand more




Christina Perri



domingo, 27 de abril de 2014

soneto do amor e da morte



Julio Pomar

soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser, 
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

sexta-feira, 27 de setembro de 2013




Zita Dantas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade





quinta-feira, 26 de setembro de 2013





Lauri Blank



Não posso adiar o amor para outro século 
Não posso 
Ainda que o grito sufoque na garganta 
Ainda que o ódio estale e crepite e arda 
Sob montanhas cinzentas 
E montanhas cinzentas 

Não posso adiar este abraço 
Que é uma arma de dois gumes 
Amor e ódio 

Não posso adiar 
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
E a aurora indecisa demore 
Não posso adiar para outro século a minha vida 
Nem o meu amor 
Nem o meu grito de libertação 

Não posso adiar o coração

(António Ramos Rosa)


quarta-feira, 25 de setembro de 2013





Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua sombra e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida – e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém,
teu sinal de fogo e leite repõe a força
maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor.


Herberto Helder | a colher na boca [1961]





Patricia Ariel





recomeçar




O Verão e o calor deixam-me exausta.




Ford Smith




                                                                Nada melhor do que o Outono para um bom recomeço.







segunda-feira, 24 de junho de 2013








isabelle sauvineau





NÃO BASTA ABRIR A JANELA

Não basta abrir a janela 
Para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. 


ALBERTO CAEIRO (FERNANDO PESSOA), in POEMAS INCONJUNTOS / POEMAS DE ALBERTO CAEIRO



domingo, 16 de junho de 2013


 O paraíso ___
Letra/música: Pedro Ayres Magalhães

Subi a escada de papelão
Imaginada
Invocação
Não leva a nada
Não leva não
É só uma escada de papelão

Há outra entrada no Paraíso
Mais apertada
Mais sim senhor
Foi inventada
Por um anão
E está guardada
Por um dragão

Eu só conheço
Esse caminho
Do Paraíso






domingo, 9 de junho de 2013




Omar Ortiz


Morrer de Amor


Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso


Maria Teresa Horta , in "Destino"





E a hora
que te espreita
é derradeira.
Decerto já bateu
à tua porta.
A hora
que esperaste a vida inteira,
é agora.



Teresa Salgueiro - Madredeus


domingo, 26 de maio de 2013









Christina Perri




a thousand years








Marisa Reve



Armadilha

E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria







Aissata Pinto da Costa



Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia, porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria -
por mais amarga.


Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"









quinta-feira, 23 de maio de 2013



leonard cohen


But I'm always alone.
And my heart is like ice.
And it's crowded and cold
in my secret life




quarta-feira, 22 de maio de 2013





Megan Gibben



... Deveria chamar-te claridade
pelo modo espontâneo
Franco e aberto
Com que encheste de cor meu mundo escuro...

Vinicius de Moraes