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domingo, 24 de março de 2024

LINCE

 



                                                                                                    ( foto – lince da bimago)

És múltiplas dimensões

 um guardador de segredos.

És o silêncio que me cerca

a voz invisível  

o poder

o ar e o vento

a fonte

mistério.

Teus olhos são janelas

 guardiãs de palavras ditas

sonhos nossos de fartura.

E depois

Há o que o pensamento não

explica

A visão sem limites.

És tu.

Tu és a verdade

E nada mais.

És lince.



Maria Luís Koen



sábado, 31 de dezembro de 2022

Momentos chave

 


Quem te quiser ver

bate à tua porta e vê

ou não

e olha.

Se quiseres tu ver

bates àquela porta e esperas.

Ficas mal se não querem abrir

e não olhas

não dizes

não dás.

Momentos chave-

- tristes, se com maldade adiados

-alegres,  se com amizade saudados.

Por vezes soltam palavras ocas,

as bocas,

com pouco significado

a dizer aquela desculpa:

- o Natal não é hoje, é sempre que um homem quiser

- o Ano Novo é :

amanhã telefono

amanhã passo aí

amanhã vou

amanhã.

Frases que escondem o

         NÃO

Não te quero aqui

Não quero conversa

Não quero saber se me queres bem

Não quero saber se estás bem.

Mas 

quem te quer olhar, sabe.

Sabe onde estás e o que sentes.

Quem te quer,

quer

e tu sentes.

Quem só finge que te quer

tu vês

sabes

sabes que é só mentira.

Por isso

quem quiser vir

eu abro a porta.

Que venha com amor e fique

Uma minha pessoa

Pessoa minha.

                                              

                                         Feliz Ano Novo!!


Maria Luís Koen

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Nada para ser dito

 

                                                                    ( Lia Melia)


Nada para ser dito.


Sei

das palavras gastas,

gestos iguais ao

início.

 

Performance.

 

O amor a não ser

desejo

e fome

 

Na boca em

mãos misturadas

nos cheiros

 

Até nada continuar

a ser dito

Até nada dito

Nada.

 

Pode ser o fim.




Maria Luís


domingo, 11 de abril de 2021

 

                                                               (Inna Karpova)


À nossa volta há

uma maré de

múltiplas flores,

labareda de

mil cores

 

a subir

a arder

a queimar

 

para depois

o crepúsculo chegar

e esfumar-se

ainda quente

em nós.



Maria Luís Koen


segunda-feira, 29 de março de 2021

Primavera

   

Carmen Guedez

    Todas as flores do campo, 

todos os cheiros,

todas as cores que o vento empurra.

Toda a maresia, areia dourada

Toda a lua cheia

Que abraça e aperta

Um nó que atravessa.

Não é dor no peito, não é tristeza

É celebração que não se aguenta.

Dizem que é o aroma anestesiante, 

potente

Dos maios e damas da noite

Ou a cor suave do amor perfeito

Amarelo estasiante.

Há quem morra hoje

E a Primavera (re)nasça 

amanhã.


Maria Luís Koen


quarta-feira, 29 de julho de 2020



24

(@João Alfaro)





É isto.  Isto.
Só isto.
Não vês este
desespero?
Veneno que ninguém
bebe
tudo postiço.


Maria Luís Koen


terça-feira, 14 de julho de 2020



23

(Tiffany Hagen)




Sinto que já disse todas as palavras
e no entanto não disse.

Não ousei o toque 
nem o secreto falar do
depois
não ousei a cumplicidade dos códigos
nem a faísca do som.

Volto a sentir que já disse todas as palvras
palavras ditas       que se dizem       que se devem
dizer
os outros esperam que sejam ditas
no entanto

não ousei as que pensei
não ditas porque não
não se deve
os outros não

ah raiva
dôr de só as poder sonhar
escrever
que nunca (as sei) dizer.



Maria Luís Koen




terça-feira, 7 de julho de 2020



22

(Rivka Korf)



O meu grito hoje diz não.
Não às palavras e gestos incompletos
de ternura, hirtos, sem significado.
Não aos sons contidos na garganta
à amargura e queixume monótono da
lamentação.
Não aos olhos que teimam em não chorar
Não aos que querem sentir
Não aos sorrisos oblíquos
à vergonha dos silêncios
à sobriedade dos momentos.
Não às frases mágicas de anulação
aos fios sempre abertos da razão
às cóleras de quem não sabe que morre.
Não aos hálitos de lugar nenhum
do senso comum
do sonho nenhum.
Não!
O meu gritar hoje diz não.


Maria Luís Koen



21


(Nick Hale)

Um caixão morto.

terias sido o traço contínuo
ultrapassar tudo no intervalo
das sensações.

estás morto.

bebi o turbilhão do choro
com todas as flores.

gritas o silêncio ao longo da rua
molhada
ignoras os becos
o limite do som.

és caixão.

tenho os olhos fechados
que não te quero vêr.


Maria Luís Koen


segunda-feira, 6 de julho de 2020


20




Lana (Tchéquia)


Sou ar molhado de vento
sou candeeiro branco
cama de ferro sem colchão
sonho espiritual em botija
quente
ou sou apenas roncos de
mim no escuro do quarto,
cabelos pegados
canetas febris.
Medo dos sons amorfos
sem alma sem nada?


Maria Luís Koen




19


(Lisa Nelson)



AB UNO DISCE OMNAS?



Unhar é signo de gatos.
Sou gato.
Gato louco  -  nada diz
de tudo saber,
hipnotismo seco.

Deslizar é signo de gatos,
sou gato
rente, só a penugem
que aflora, lenta.

Gato que dorme enroscado no
sonho de todos os 
Janeiros de amor,
gato
gato.


Maria Luís Koen






terça-feira, 9 de fevereiro de 2016














Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



   (Sophia de Mello Breyner Andresen)

sábado, 3 de outubro de 2015


Phenomenal Woman

BY MAYA ANGELOU
Pretty women wonder where my secret lies.
I’m not cute or built to suit a fashion model’s size   
But when I start to tell them,
They think I’m telling lies.
I say,
It’s in the reach of my arms,
The span of my hips,   
The stride of my step,   
The curl of my lips.   
I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,   
That’s me.

I walk into a room
Just as cool as you please,   
And to a man,
The fellows stand or
Fall down on their knees.   
Then they swarm around me,
A hive of honey bees.   
I say,
It’s the fire in my eyes,   
And the flash of my teeth,   
The swing in my waist,   
And the joy in my feet.   
I’m a woman
Phenomenally.

Phenomenal woman,
That’s me.

Men themselves have wondered   
What they see in me.
They try so much
But they can’t touch
My inner mystery.
When I try to show them,   
They say they still can’t see.   
I say,
It’s in the arch of my back,   
The sun of my smile,
The ride of my breasts,
The grace of my style.
I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.

Now you understand
Just why my head’s not bowed.   
I don’t shout or jump about
Or have to talk real loud.   
When you see me passing,
It ought to make you proud.
I say,
It’s in the click of my heels,   
The bend of my hair,   
the palm of my hand,   
The need for my care.   
’Cause I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.



18



Doris Clare Zinkeisen




  É sempre tudo tão bem. O sol manso de manhã,
o cheiro a orvalhada, o frio a gelar as mãos, a colorir
a face. Mas logo aparece o que arrefece, enlouquece.
Instala-se o nó e a vontade de rasgar papéis, 
quilómetros de eternas letras num palmilhar 
de veios passados.
Mesmo quando desaparece, a surdez continua, 
a cegueira de todos os doces, 
a nudez de todas as esperanças.
E ficas quedo, com medo de tanta paz e
de eu te dizer que te amo.


Maria Luís Koen











terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

-sempre


17


tina cassati 



É sempre tudo tão bem. O sol manso de manhã
o cheiro a orvalhada, o frio a gelar as mãos, a colorir
a face. Mas logo aparece o que arrefece, enlouquece.
Instala-se o nó e a vontade de rasgar papéis,    ´
quilómetros de eternas letras 
num palmilhar de veios passados.
Mesmo quando desaparece, a surdez continua, a cegueira 
de todos os doces, a nudez de todas as esperanças.
E ficas quedo, com medo de tanta paz e
de eu te dizer que te amo.



Maria Luis Koen



sábado, 19 de julho de 2014

De repente


16

Telmo Rocha



De repente as cores ficam cinzentas
o rumo é infinito e assustador
as sensações adoecem na chuva
e eu
não sinto nada.

A memória
essa, recorda-me episódios
que saboreio
mas não sei.

Quero e não
esquecer.


Maria Luís Koen


Sempre


15

John Bramblitt


Sempre esta dôr
de ver teus olhos
bichos inquietos.


maria luís koen




domingo, 8 de junho de 2014

ó terra


14

Derek McCrea




Ó terra
     Ó mãe
                matriz

Quero ser areia
                              areia  
areia

E em mim
receber
                      o mar.




Maria Luis Koen




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Subo vezes sem número as escadas


13


Jacek Yerka


Subo vezes sem número as escadas onde

te imagino e, no topo sem fim, arrisco-me no vácuo.

Conheço histórias de fadas que são terrestres

e de príncipes encantados em carros desportivos

ou messias que não conhecem Cristo.

Mas tu estás lá, reconheço os passos no cheiro

que quero tocar. Quando regresso às portas conhecidas

e às janelas sem postigo, nunca desço.


Maria Luis Koen





domingo, 18 de maio de 2014

Não voltes


12


(lucy Salgado)





Não voltes.
O cenário baixou o pano.
Ninguém te viu,
ninguém bebeu a humidade tua,
os gestos abertos lentamente,
ninguém.
Deixa-me agora a Primavera,
o súbito arco-íris,
os jardins afogados em papoilas.

Maria Luís Koen